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  • Jornal das Oficinas

Nova vida para os resíduos!

A Valorcar que tem por missão promover a correta gestão dos resíduos relacionados com o ciclo de vida do automóvel, organizando a sua recolha e reciclagem e fomentando a melhoria do desempenho económico, social e ambiental de todos os agentes envolvidos, é um protagonista de peso no que diz respeito à circularidade dos materiais.


Constituída em 2003, a Valorcar encontra-se licenciada pelo Estado Português (Ministérios do Ambiente e da Economia) para gerir a reciclagem dos Veículos em Fim de Vida - VFV, desde 2004, e dos Resíduos de Baterias e Acumuladores - RBA, desde 2009.


Seguindo o conceito de economia circular, que visa maximizar o aproveitamento dos produtos que consumimos, como é o caso dos veículos e das baterias, a Valorcar tem como estratégias prolongar a sua utilização, através da reutilização e/ou do recondicionamento, assim como otimizar o reaproveitamento dos materiais, obtidos quando o produto se torna um resíduo, através da reciclagem e/ou da valorização energética.


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Os materiais que compõe os produtos descartados, como é o caso dos veículos e das baterias que atingem o seu fim de vida, devem ser encarados como recursos disponíveis para reintrodução no ciclo produtivo. Traduzem-se também num aumento da importância da mineração urbana, como fonte de matérias primas para a economia, face à indústria extrativa tradicional.

Para maximizar o aproveitamento dos veículos e das baterias comercializados em Portugal, a Valorcar organiza uma rede de recolha de VFV e de RBA de âmbito nacional, constituída por empresas licenciadas para a gestão destes resíduos. Esta rede, que conta com mais de 300 centros de abate, assegura a receção sem custos para os seus detentores, um tratamento adequado dos resíduos e níveis elevados de reciclagem e valorização. Em 2021 foram abatidos mais de 112.000 veículos ligeiros na Rede Valorcar, num total nacional de cerca de 118.000. Estima-se que em 2022 sejam abatidos uma quantidade semelhante de VFV que deverão representar mais de 100.000 toneladas de materiais que irão ser processados pelos centros da Rede Valorcar e novamente reaproveitados no fabrico de novos bens e produtos.


Os operadores dos centros de abate devem ter formação na remoção do fluido de ar condicionado, no desmantelamento de VFV e no manuseamento/ acondicionamento dos vários resíduos. Em 2021 a Valorcar organizou diversas ações de formação, de caracter eminentemente prático: 2 de remoção de fluido de ar condicionado, 8 de desmantelamento de VFV e manuseamento de baterias e 4 de desmantelamento de VFV elétricos.


DEPOIS DE TER SUPERADO O PATAMAR DO MILHÃO DE VEÍCULOS RECICLADOS, A VALORCAR ESTÁ AGORA FOCADA NO OBJETIVO DE CHEGAR AOS 350 CENTROS DE ABATE E RECLAMA MAIS FISCALIZAÇÃO AO NÍVEL DO DESMANTELAMENTO INFORMAL


Algumas das formações aos centros de abate organizadas pela Valorcar em 2021, contaram com a colaboração da ANCAV - Associação Nacional de Centros de Abate de Veículos. A Valorcar estabeleceu uma parceria com esta Associação, que integra vários operadores de desmantelamento vocacionados para a reutilização de peças, para promover iniciativas conjuntas de formação aos centros de abate, sensibilização comunicação aos proprietários de VFV/público em geral e de colaboração com as autoridades. Adicionalmente foram realizadas mais de 200 visitas/auditorias às instalações dos centros, no âmbito das quais foram complementadas e/ou reforçadas as informações transmitidas nas formações.


Relativamente às baterias usadas, estima-se que a quantidade recolhida se situe próxima das 20.000 toneladas. Na sua larga maioria serão da composição química chumbo-ácido, mas a Valorcar também assegura a recolha e a reciclagem das baterias de iões de Lítio usadas em veículos elétricos, quando estas deixam de servir para este fim. Numa primeira fase são testadas, no âmbito duma parceria com a ZEEV, para analisar a viabilidade de serem recondicionadas e usadas para armazenamento de energia em aplicações estacionárias (p. ex. a partir de fontes renováveis).



Quando tal não é viável são desmanteladas em centros da Rede Valorcar e os materiais e componentes resultantes enviados para reciclagem. A quantidade destas baterias que atinge o fim de vida é ainda muito reduzida.


REUTILIZAÇÃO / RECICLAGEM

Maioritariamente os materiais presentes no veículo são separados e novamente reaproveitados no fabrico de novos produtos. São também desmanteladas peças para reutilização. Entre os vários destinos, podem referir-se os seguintes exemplos: os metais ferrosos são novamente fundidos (em Portugal existem duas siderurgias) e usados no fabrico de vigas para a construção civil; o vidro é consumido pela indústria vidreira nacional na produção de embalagens como frascos ou garrafas; o plástico dos para choques é utilizado no fabrico de mobiliário urbano e utensílios diversos; o chumbo das baterias, depois de fundido e afinado, é reincorporado em novas baterias automóveis.

Os metais, nomeadamente os ferrosos, são o material com maior peso na composição dum veículo. Têm também historicamente um valor económico significativo. Por estes motivos são os resíduos valorizados em maior quantidade.



Os materiais não metálicos, nomeadamente os plásticos, são aqueles cuja reciclagem apresenta maiores desafios (elevada diversidade; baixa densidade; valor económico historicamente mais baixo). No entanto, a pressão social e legal para serem atingidos maiores níveis de reaproveitamento dos resíduos, aliada ao aumento do preço do petróleo, conduziu, na última década, ao aparecimento de soluções viáveis (em termos técnicos e económicos) para a reciclagem destes materiais.

Depois de desmanteladas, as carcaças dos VFV são trituradas e separadas várias frações de materiais. Os metais são fundidos e reciclados. Algumas das frações não metálicas, ricas em plásticos, espumas e tecidos, são usadas como combustível em fornos de cimento. Uma parte destas frações é ainda encaminhada para aterro. Em 2021 foi reaproveitada 97 % da massa total dum VFV.


PEÇAS USADAS EM ALTA

A quantidade de peças reutilizadas pela Rede Valorcar corresponde a cerca de 20% da massa total dos VFV. José Amaral, diretor operacional da Valorcar, considera que a existência de centros de abate licenciados dotados de boas instalações, equipamentos e mão de obra especializada, aliadas à adoção de soluções inovadoras de gestão informática de stocks e de venda online é um contributo importante para promover a reutilização de pe- ças. No sentido inverso, a venda de peças usadas, provenientes de desmantelamento ilegal prejudica este objetivo.

Sobre o que deve ser feito para incentivar as oficinas e clientes finais a adquirirem peças usadas, este responsável refere que deve ser promovida a melhoria das condições apresentadas pelos centros de abate. A este respeito assinala que “a Valorcar tem desenvolvido várias atividades, sendo de destacar as auditorias para identificar pontos a me- lhorar (nas instalações, equipamentos e procedimentos), ações de formação e a publicitação dos centros (localização e contactos disponíveis em www.valorcar.pt).


OS VFV, QUE SE ESTIMA SEJAM ABATIDOS EM 2022, DEVERÃO REPRESENTAR MAIS DE 100.000 TONELADAS DE MATERIAIS QUE IRÃO SER PROCESSADOS PELOS CENTROS DA REDE VALORCAR E NOVAMENTE REAPROVEITADOS NO FABRICO DE NOVOS BENS E PRODUTOS


Deve também ser reforçada a fiscalização da venda de peças usadas provenientes de desmantelamento ilegal, nomeadamente através de plataformas online. Recordamos que a legislação proíbe e penaliza a venda de peças usadas não provenientes de centros de abate licenciados.” Relativamente ao futuro deste negócio, José Amaral considera que “as peças usadas disponibilizadas pelos centros de abate licenciados correspondem às necessidades e expetativas dos seus clientes e que vai continuar a existir procura para estas peças, acompanhada do aumento das vendas online em detrimento do atendimento presencial.


Este aspeto, combinado com a redução dos custos e a rapidez e qualidade no atendimento ao cliente, deverá continuar a motivar a informatização de stocks”, conclui.



PRINCIPAIS APLICAÇÕES DOS MATERIAIS RECICLADOS


Mais de 88% do VFV é reaproveitado como material em peças para utilização:

l Os metais são aproveitados pelas siderurgias para fabricarem essencialmente ferro para a construção civil;

l Os alumínios são aproveitados para novos motores, jantes ou outras aplicações fora da área automóvel. Como perfis de janelas ou utensílios domésticos;

l Os vidros são triturados, depois de separado o plástico, sendo novamente introduzidos, por exemplo, no fabrico de frascos ou de garrafas, assim como de revestimento cerâmico para loiça sanitária;

l Os para-choques são triturados e usados para fazer várias aplicações, por exemplo, de mobiliário urbano feito a partir de plástico reciclado, pinos que limitam estacionamento e apoios de praia;

l O chumbo das baterias é reciclado para ser usado no fabrico de novas baterias;

l O granulado dos pneus é aproveitado para pisos de parques infantis e campos de futebol de relva sintética, entre outras aplicações.



FILTROS DE PARTÍCULAS E CATALISADORES NÃO CHEGAM AOS CENTROS DE ABATE


Por via do seu valor económico e da proliferação de circuitos ilegais (cujo expoente máximo são as redes criminosas de furto de catalisadores em veículos na via pública), verifica-se que muitos dos VFV são entregues para abate sem este componente. Este aspeto prejudica significativamente o desempenho ambiental e económico dos centros de abate licenciados.


Segundo dados da Polícia de Segurança Pública (PSP), são cada vez mais os catalisadores roubados em Portugal. Em 2021, foram registadas mais de quatro mil queixas por este tipo de crime. O problema é de tal dimensão que conduziu à criação de uma força especial: Equipas Regionais de Investigação à Criminalidade Automóvel (SRICA), especializadas em investigação criminal para análise das ocorrências, das tendências reportadas e dos fluxos subsequentes.

A crescente vaga de furtos deve-se ao facto de os metais preciosos incorporados no interior do catalisador serem valiosos e terem muita procura no mercado. Produzidos com recurso a metais raros especialmente valiosos, como o ródio, o paládio ou a platina, um catalisador pode valer mais de oitenta euros, uma vez que no seu interior pode ter pelo menos até dois gramas de ródio ou platina, cujo valor de mercado ronda os quarenta euros por grama.

Os ladrões são cada vez mais profissionais e utilizam um simples macaco hidráulico e uma rebarbadora com disco de corte, numa operação que demora apenas dois ou três minutos. A maioria das ocorrências verifica-se na Área Metropolitana de Lisboa, em automóveis com matrículas entre 1998 e 2001.

Buscas realizadas no final de 2021 pela PSP, a sucateiros ilegais, resultaram na deteção de cinco indivíduos por suspeita de crimes de furto e receção de catalisadores. A PSP acredita que os agora arguidos fazem da prática do furto destes componentes o seu modo de vida, modalidade criminal com elevada incidência a nível nacional e que normalmente deixa as vítimas impossibilitadas de fazer uso normal dos seus veículos. Este é um problema, definitivamente, preocupante e sem final à vista, pois a pandemia interrompeu a cadeia de abastecimento dos metais preciosos, que se encontram no interior dos catalisadores e, como tal, o preço de mercado destes metais aumentou exponencialmente.



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