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  • Jornal das Oficinas

Peças reconstruídas - uma ideia, muitas vantagens

Será que usar peças de automóveis recondicionadas ou reconstruídas é seguro? Esta é seguramente uma das questões que os automobilistas colocam às oficinas. Apesar de não serem peças novas, estas são de confiança e do ponto de vista meramente económico, as peças recondicionadas e reconstruídas, são efetivamente uma opção mais acessível.




As peças reconstruídas são alvo de restauro estético exterior, por forma a apresentarem um aspeto de peça nova. Mas, para efeitos de qualidade e garantia, são legalmente idênticas aos de uma peça nova. Durante o processo de reconstrução de um componente, procede‐se à desmontagem integral de todos os seus elementos individuais constituintes, os quais são sujeitos a um processo de triagem, preparação, recuperação e testes. Quando os componentes e seus elementos são irrecuperáveis, estes são descartados, os restantes seguem para o processo completo de verificação e beneficiação. No fim, são montados nos componentes, os elementos recuperados e outros novos, que tiveram de substituir os que foram rejeitados, apresentando um componente com as mesmas qualidades que o novo.


SERÁ QUE VALEM A PENA?

Apesar das inúmeras vantagens que este tipo de produto apresenta para consumidores, meio ambiente, marcas e reparadores, tem tardado em assumir uma posição de relevo no mercado pós-venda automóvel. Na área automóvel, um produto reconstruído é todo aquele em que as peças de desgaste que o compõem são substituídas por peças novas. A reconstrução é um processo que leva à recuperação do valor acrescentado atribuído ao material quando o produto foi inicialmente construído. Este tipo de produto, tem de oferecer ao consumidor a qualidade e fiabilidade da peça nova, pelo que todo o processo de reconstrução terá de ser efetuado de acordo com os padrões de qualidade definidos pela marca. A base fundamental do produto reconstruído é a peça usada que é substituída na reparação. As peças reconstruídas são uma área de negócio que em Portugal tem ainda uma baixa percentagem de incorporação nas reparações auto.


NOS CASOS EM QUE PODE SER APLICADA, A RECONSTRUÇÃO É UMA ALTERNATIVA EXCELENTE ÀS PEÇAS NOVAS, TANTO PARA OS PROFISSIONAIS DA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL – FABRICANTES DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS, DISTRIBUIDORES E INSTALADORES – COMO PARA O CONSUMIDOR FINAL

Internacionalmente, a peça usada é conhecida pela designação Core. É o início e o fim do ciclo de vida do produto reconstruído. É, portanto, fundamental que, por cada peça reconstruída utilizada, exista a devolução do Core para que o processo não sofra interrupções. Devido a diversas circunstâncias, apenas se conseguem recuperar cerca de 80% de todos os “Core” substituídos o que, em muitos casos, dificulta a disponibilidade deste tipo de produto.

Existem no mercado diversos elementos iniciados com o prefixo “Re“ que devido à semelhança de processos e do produto final, podem ser facilmente confundidos com peças reconstruídas e causar confusão junto do consumidor. Temos como exemplos:


RECONDICIONADO: foi recuperada a funcionaidade do produto como novo ou quase como novo, mas não implica que ele continue a ter mesma garantia de qualidade, nem que todos os componentes tenham sido desmontados, limpos ou substituídos.

REUSAR: significa que o produto já foi utilizado anteriormente. Como não sofreu qualquer intervenção, todos os problemas adquiridos durante a primeira utilização, continuam lá.

REPARAR: é tornar operacional um produto que teve uma avaria. Normalmente a intervenção é feita exclusivamente no local ou no componente que a provocou e não em todo o produto.

RECICLAR: é retornar o produto à matéria-prima, que posteriormente pode ser utilizada na construção de uma nova peça. A reciclagem implica a destruição do produto o que, quando se trata de peças para veículos em final de vida, pode levar à não produção de uma peça igual.


COMO FUNCIONA O PROCESSO DE RECONSTRUÇÃO?

Por questões ambientais e também económicas, cada vez mais se reaproveitam as peças dos automóveis. Mesmo nas marcas mais conceituadas no ramo automóvel, muitas das peças substituídas são peças que passaram pelo processo de reconstrução. Neste processo, as peças usadas são totalmente desmontadas e testadas afim de garantir que se encontram em condições de serem reutilizadas. Após este passo, todos os componentes sujeitos a maior desgaste são substituídos por novos, garantindo assim uma maior durabilidade das peças reconstruídas.





OS FABRICANTES DE AUTOMÓVEIS ESTÃO CADA VEZ MAIS CONSCIENTES DAS OPORTUNIDADES CRIADAS PELA RECONSTRUÇÃO, PARA AMPLIAR OS CONTRATOS DE MANUTENÇÃO E DISPONIBILIZAR SOLUÇÕES COM CONDIÇÕES VANTAJOSAS PARA VEÍCULOS MAIS ANTIGOS

Este processo funciona da seguinte forma, a oficina compra a peça ao fornecedor de peças, este fatura‐lhe a peça e o core (peça danificada ou que pretende substituir), quando efetuar a devolução desta, o dinheiro ser‐lhe‐á devolvido. Para se conseguir reconstruir a peça esta não pode estar em estado muito degradado. Geralmente não pode estar partida e deve ser entregue ao fornecedor limpa e na caixa original. Aquilo que diferencia um produto reconstruído de todos os outros é o processo que leva à sua reconstrução e que se de‐ senvolve em sete etapas:

Recolha do Core;

Inspeção e identificação de falhas;

Desmontagem do produto;

Limpeza dos componentes;

Substituição dos componentes sujeitos a desgaste;

Montagem do produto;

Teste e ensaio de funcionalidade;

As possibilidades de reconstrução são vastas e, em teoria, qualquer produto pode ser reconstruído. Em Portugal os componentes reconstruídos mais comuns são motores, caixas de velocidade, turbocompressores, alternadores, transmissões, caixas de direção, unidades eletrónicas, painéis de instrumentos, cabeças de motor, motores de arranque, embraiagens, catalisadores, bombas injetoras, injetores e radiadores.


A UTILIZAÇÃO DESTE TIPO DE PEÇAS TEM INÚMERAS VANTAGENS:

PARA O MEIO AMBIENTE: A energia despendida na reconstrução é substancialmente inferior à necessária para produzir uma nova unidade. Por exemplo, na reconstrução de alternadores gasta‐se apenas 14% da energia e 12% do material relativamente ao fabrico das peças novas. Nos motores de arranque a diferença ainda é maior: 9% de energia e 11% de material; Reduz a emissão de milhões de toneladas de dióxido de carbono.


PARA AS MARCAS AUTOMÓVEIS: Reduz substancialmente os custos de produção; Coloca no mercado peças a preços mais concorrenciais com uma margem de lucro duas vezes superior à das peças novas; Reduz o custo das garantias.


PARA OS CONSUMIDORES: Têm como opção peças com um custo 30% a 65% inferior ao preço de uma peça nova, com idêntica qualidade e com as mesmas condições de garantia. Este é sem dúvida um negócio com grande margem de progressão. No entanto, existem, a vários níveis, alguns desafios que têm de ser ultrapassados para que este negócio se possa afirmar e conquistar o seu lugar. Um, se não mesmo o mais importante, é que o consumidor passe a confiar na qualidade das peças reconstruídas. Muitas vezes ainda é feita a associação: reconstruído = pouca qualidade.

Isto só é possível se a rede de reparadores transmitir de forma clara aos clientes, a qualidade e fiabilidade destas peças e as vantagens económicas que esta solução representa. As marcas têm também um papel importante a desempenhar neste processo alargando o número de produtos disponíveis, facilitando o processo de devolução dos Core e procurando oferecer estas peças a um preço cada vez mais acessível. Perante o que atrás foi escrito e em forma de conclusão poder‐se‐á afirmar que as peças reconstruídas são fiáveis, mantêm os padrões de qualidade na reparação automóvel, são uma área de negócio com enorme potencial de crescimento e uma mais valia para todos os intervenientes bem como para o meio ambiente. Não estamos com isto a dizer para que não compre peças novas, estamos apenas a mostrar‐lhe que existem opções e algumas a preços mais reduzidos que lhe vão permitir poupar bom dinheiro na próxima manutenção do seu veículo. Contudo há peças que convém montar apenas novas e originais.



ALTERNATIVA ECONÓMICA


O grande mérito das peças reconstruídas (recuperadas, recicladas, remanufaturadas, etc.) é o facto de se imporem no mercado com vantagem económica, e serem parte importante da estratégia de sustentabilidade e de promoção da economia circular. O menor custo das peças reconstruídas é obtido simplesmente por reaproveitar metais que teriam que voltar a ser fundidos. Em termos de processos de produção também há economias energéticas. Os materiais reutilizados também ficam a custo zero. Essas reduções permitem que a qualidade e a segurança da peça reconstruída sejam as mesmas de uma peça original. Um alternador ou um motor de arranque com o enrolamento partido não funcionam, por exemplo, mas basta montar outro enrolamento para a peça ficar nova, considerando bom o estado do rolamento e outros componentes chave. Esta economia tem reflexos ambientais e até na segurança rodoviária. Menos emissões de CO2 no processo de fabrico, reutilização de materiais e matérias‐primas e menor consumo energético tornam o sistema ecologicamente sustentável. Além disso, os carros passam a circular com as garantias de origem, ao passo que o custo da peça nova poderia em muitos casos retardar ou até inviabilizar a reparação. Carros mais seguros, maior defesa do meio ambiente, maior atividade reparadora, mais economia e maior repartição dos rendimentos são argumentos de peso.




MERCADO CRESCE


Os fabricantes encontram‐se sobre uma pressão crescente para reduzirem a sua pegada ecológica e os clientes procuram sempre uma alternativa mais barata. À medida que a indústria desperta rapidamente para o valor dos produtos reconstruídos, abrem‐se novas oportunidades e o mercado cresce de ano para ano. Para explorar estas oportunidades, os reconstrutores têm de dar resposta à cada vez maior exigência em termos de capacidades tecnológicas, conhecimentos, novos métodos e processos. Em muitos casos, a única forma de manter os carros mais antigos na estrada é através da utilização de peças automóveis reconstruídas – pois os seus componentes originais já não são produzidos na atualidade. A gama de produtos reconstruídos oferece ao mercado independente de pós‐venda o padrão do Equipamento Original a um preço competitivo. A reconstrução também permite a criação e manutenção de empregos em toda a Europa. Numa época em que muitas indústrias estão a deslocar trabalho para fora da União Europeia, não faz sentido que os reconstrutores o façam, devido aos custos de deslocar as peças para fora da Europa e novamente de volta. No mercado europeu, a indústria da reconstrução emprega um total de 35.000 pessoas. O potencial é enorme e é importante reconhecer que há muito mais trabalho envolvido na reconstrução do que na produção de peças novas.


ECONOMIA E AMBIENTE


Um componente reconstruído, pouco importa se é um simples cardan de uma transmissão ou um motor completo, beneficia de várias sinergias importantes, que permitem reduzir o custo de produção e de venda em cerca de 30 a 50%, relativamente a peças fabricadas de raíz. Em primeiro lugar, há grande economia em matérias‐primas, que têm subido astronomicamente nos últimos, como é o caso do aço e outros materiais básicos. Em seguida, é recuperada a energia que foi utilizada para fundir e conformar as peças recuperadas, que representa cerca de 80‐85% do total da energia gasta na peça.

A importância deste facto é clara, se tivermos em conta os custos crescentes da energia, a disponibilidade limitada de recursos energéticos e as emissões de CO2 necessárias para produzir energia comum. Outro valor que é recuperado igualmente com a peça usada é a mão‐de‐obra necessária para a produzir. São estas poupanças que permitem assegurar os preços muito competitivos das peças recondicionadas e a margem de que as empresas produtoras necessitam para assegurar a sua sustentabilidade. Não menos importante é o impacto que a reciclagem (ciclo fechado) tem para o ambiente, evitando o circuito das sucatas para as fundições e destas novamente para as indústrias produtoras. Recursos naturais e energia são poupados em quantidades muito significativas, garantindo condições de sustentabilidade para um desenvolvimento compatível com a conservação do ambiente. Além disso, a indústria de recuperação de componentes automóvel é de mão‐ ‐de‐obra intensiva, garantindo níveis de emprego socialmente corretos e potenciadores de crescimento económico.




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