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  • Jornal das Oficinas

Peças usadas, económicas e sustentáveis

Nos últimos anos tem havido um aumento considerável na procura de peças usadas. Apesar de não existirem estudos sobre o mercado nacional, as estatísticas apontam para um crescimento acelerado da aquisição de peças usadas em alternativa ás peças novas, recondicionadas ou reconstruídas.



O mercado das peças originais usadas ainda agora começou, principalmente em Portugal. Ainda associamos estas peças às sucatas e aos centros de abate de uma forma primitiva. Mas, embora ainda seja uma minoria, já se verifica um aumento do consumo de OEM usadas de ano para ano, na Europa.


A crise dos chips, embora devastadora para a generalidade da indústria, acabou por be-neficiar o mercado. Os consumidores foram obrigados a procurar soluções alternativas à compra de originais novas e encontraram as OEM usadas. A perceção das vantagens das peças recicladas, assim como a crescente consciencialização da sustentabilidade, ajudam, sem dúvida, o setor a descolar. Este crescimento deve-se não só ao facto de os consumidores estarem cada vez mais conscientes em relação à temática da sustentabilidade mas também ao facto deste tipo de peças se apresentar como alternativa que combina qualidade e preços mais acessíveis, já que algumas peças novas são praticamente impossíveis de alcançar, seja pela sua disponibilidade, posição geográfica ou preço.





Assim, os consumidores acabaram por encontrar nas peças usadas a melhor solução. E, claro, a partir daí os condutores começam a estar mais atentos e a sugerir as OEM recicladas a familiares e amigos que precisam de reparar o seu carro.


O CRITÉRIO QUE AINDA PESA MAIS NA DECISÃO DE COMPRAR UMA PEÇA USADA É A RELAÇÃO QUALIDADE-PREÇO. PELO QUE O FACTO DE HAVER OPÇÕES DE GRANDE QUALIDADE A PREÇOS MAIS REDUZIDOS É UM FATOR QUE ATRAI BASTANTE OS CONSUMIDORES

Apesar de ainda haver alguma desconfiança por parte dos consumidores associada, muitas vezes, a preconceitos que estes têm em relação às peças usadas, a verdade é que este negócio tem vindo a ganhar espaço no mercado. Acreditamos que o futuro deste mercado passa por educar e consciencializar para o impacto que o consumo humano pode ter no planeta. É importante demonstrar e reforçar que a compra de uma peça usada é uma opção de confiança, mais acessível e sustentável, pois antes de serem colocadas à venda, estas peças são sujeitas a uma avaliação e vistoria rigorosas, de forma a garantir o seu bom funcionamento.

O critério que ainda pesa mais na decisão de comprar uma peça usada é a relação qualidade-preço. Pelo que o facto de haver opções de grande qualidade a preços mais reduzidos é um fator que atrai bastante os consumidores. No entanto, é de ressalvar que há também cada vez mais preocupação em optar por produtos mais sustentáveis, que tenham menor impacto ambiental, especialmente por parte das gerações mais novas.


A sustentabilidade do planeta é uma preocupação que está presente na sociedade e, cada vez mais, as pessoas procuram contribuir para uma economia circular e combater desperdícios e produção em massa de qualquer tipo.


COMPENSA UTILIZAR PEÇAS DE SUBSTITUIÇÃO USADAS?

Um dos objetivos de desenvolvimento sustentável, da Agenda 2030 consiste na economia circular através da reutilização de produtos. A sustentabilidade tem como sua explicação os denominados 3R: Reduzir, Reutilizar, Reciclar.

Reduzir: o consumo de bens e produtos para as- sim diminuir o consumo energético e de materiais.


Reutilizar: dar uma segunda vida ao produto em questão.

Reciclar: realizar um processo de transformação dos produtos descartados para recuperar tudo aquilo que se possa utilizar como material de base. A sustentabilidade agrega outro fator: o económico. O valor das peças de substituição supõe uma parte importante do custo total de uma reparação, pelo que utilizar peças de substituição usadas implica uma redução do custo total.



EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE PEÇAS DE SUBSTITUIÇÃO:

1. OEM, Original Equipment Manufacturer - Peça de substituição original, montada em fábrica.

2. OES, Original Equipment Supplier – Fabricado pelo mesmo fabricante de OEM, com as mesmas especificações, mas que não são montadas em fábrica.


3. IAM, Independent Aftermarket - Peça de substituição de qualidade equivalente, realizada por um fabricante independente.

4. USADA - Procede de um outro veículo similar que já se encontrava em funcionamento. São procuradas pelo custo mais reduzido, por não existirem peças de substituição de outro tipo (por antiguidade do veículo), ou porque o veículo foi declarado perda total e o proprietário deseja repará-lo. A montagem de uma peça usada requer o consentimento prévio do proprietário do veículo. As peças devem especificar a sua origem e a oficina deve responsabilizar-se, de que estão em bom estado e oferecem garantia suficiente. A legislação obriga que apenas os Centros Autorizados para o tratamento de veículos em final de vida útil, podem extrair e preparar peças para a sua comercialização. As peças devem originar de veículos que tenham circulado, e como tal, tenham anteriormente sido homologados. Ou seja, já cumprem com a legalidade exigida.





PROCESSO DE COMPRA

Ainda que o primeiro impulso seja localizar as peças na internet, uma identificação precisa irá garantir resultados eficientes e, portanto, o melhor é a referência oficial de cada peça. O processo é:

- Procuramos a referência oficial da peça e o seu preço, nela mesma ou através de um sistema de peritagem.


- Com a referência, localizamos a peça nos Centros de abate de VFV, nas suas páginas web, ou através dos portais especializados.

- Na lista de empresas que dispõem da peça selecionamos as que nos interessam a nível de preço ou localização geográfica. O pedido pode ser realizado online.

- As empresas enviam um pedido ou nota de encomenda, e não procedem com o envio das peças até que seja realizado o pagamento, normalmente, por transferência bancária.

- Uma vez recebida, confirmamos a sua correspondência com a solicitada e, se necessário, o seu correto funcionamento.

- Se a peça enviada não corresponder com a original ou apresente danos, será devolvida, de acordo com as instruções do vendedor.


O FUTURO DO MERCADO DAS PEÇAS USADAS PASSA POR EDUCAR E CONSCIENCIALIZAR PARA O IMPACTO QUE O CONSUMO HUMANO PODE TER NO PLANETA. NUM CURTO ESPAÇO DE TEMPO AS PEÇAS USADAS VÃO CONQUISTAR UM PAPEL FUNDAMENTAL NAS REPARAÇÕES


EM QUE SE DEVE CENTRAR?

Facilidade no momento de realizar o pedido - A maioria das empresas especialistas em peças usadas conta com uma página web para visualizar a peça que procuramos e realizar o pedido. Outros meios habituais são o telefone, whatsapp e correio eletrónico.

Rastreabilidade - Possuir os dados sobre a origem da peça, como o veículo de onde origina (com fotografias) e a sua quilometragem.

Provas de funcionamento correto - Dessa forma, podemos ter uma ideia do estado da peça. Por exemplo, com o motor completo por vezes anexa-se uma ficha de compressão, assegurando, de certo modo, o seu nível de funcionamento.

Tempo de entrega - A rapidez é importante para o processo de reparação.

Embalagem das peças - Determinará o seu nível de proteção durante o transporte, garantindo que cheguem ao seu destino em bom estado.

Estado das peças - Podem ter sido submetidas a desgaste. O tempo que estiveram em funcionamento e o modo em que foram desmontadas e armazenadas irá influenciar o seu estado de conservação. Pode ser admissível algum dano estético, mas que nunca influenciará o seu funcionamento adequado.

Garantia - É importante conhecer a garantia e possíveis exclusões.

Forma de pagamento - Normalmente, por transferência bancária e/ ou por cartão de crédito.

Política de devolução - O utilizador tem o direito de devolver a peça por não ser adequada às suas necessidades ou encontrar-se defeituosa, por exemplo.



VANTAGENS DAS PEÇAS USADAS

Existe uma importante poupança económica ao utilizar peças de substituição usadas em vez das originais, embora a sua localização possa ser mais trabalhosa em comparação com o pe- dido de peças de substituição OEM. Os centros de abate trabalham com referências cruzadas. Validam uma referência de peça original do fabricante com outras referências desse modelo ou de outros veículos. É um benefício na sustentabilidade e economia circu- lar. Peças em desuso podem ter uma segunda vida, eliminando os gastos energéticos e matéria prima necessária para fabricar uma nova.




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